Coastwatch na costa SE

Este fim-de-semana foi bastante activo e produtivo para a Gê-Questa e para toda a comunidade, uma vez que, percorremos vários quilómetros de costa observando atentamente todos os pormenores importantes para o preenchimento dos questionários do projecto coastwatch.
Os primeiros participantes, durante o dia de sábado, foram os simpáticos e ilustres amigos da natureza do Clube do Ambiente da Escola Fernando Ornelas da Câmara, com a presença imprescindível do Prof. Álvaro Areias, coordenador do clube. O troço de costa entre os Salgueiros (zona Balnear) e o Porto Martins, foi a área escolhida pelo Clube do Ambiente para a observação e recolha de dados.
Este pedaço de costa tem diversas singularidades, como o baixo declive (que permite um microclima especifico) e a existência de espécies endémicas, como a Azorina vidalii vulgo Vidália e a Festuca petraea, e autocnes como o Crithmum maritimum vulgo Perrexil-do-mar. Um outro aspecto menos agradável desta beira-mar é o facto de esta estar sobre uma grande pressão imobiliária e consequentemente agredido por construções praticamente na zona supratidal, acreditamos mesmo que, pelo que observamos, em dias de tempestade alguns jardins são regados naturalmente pela água das ondas do mar.Um outro aspecto negativo, que foi possível observar, é a elevada quantidade de resíduos encontrados, como resíduos domésticos e entulhos de obras entre as habitações e a beira-mar.


No dia seguinte foi a vez de realizar o Coastwatch entre o Farol das Cotendas e o Porto Novo ou como e mais conhecida a Zona Balnear dos Salgueiros.
Este troço permitiu fazer a ligação entre o troço realizado pelo agrupamento de escuteiros do Porto Judeu (entre a cruz do canário e o Farol) com o troço realizado anteriormente pelo Clube do Ambiente (Salgueiros - Porto Martins). Praticamente todo este percurso é realizado na Zona de Protecção Especial (ZPE) das Contendas, o que valoriza o esforço do passeio pela qualidade paisagística que oferece. Os participantes foram a Carla Dutra e o Carlos Leal do movimento cívico SOS Terceira, sendo o Carlos um morador da Freguesia de S.Sebastião e grande conhecedor do pedaço de costa em foco.



Um dos grandes problemas desta costa é a deposição de sucatas, lixo doméstico e resto de animais. Este problema e especialmente incidente em uma zona da costa em que a estrada está muito perto da arriba costeira, o que permite aos pouco educados e sem escrúpulos despejarem os resíduos para a beira-mar. A quantidade de lixo era tanta neste local que dificultava a passagem entre os calhaus. Esta situação é lamentável porque se trata de uma unidade de costa classificada como ZPE. As sucatas existentes são mesmo estruturas de grande porte e de difícil remoção, como o resto de um motor, como demonstra a foto apresentada ao lado direito. Ao longo de todo troço foram ainda encontradas duas descargas de águas em que as análises de nitratos foram realizadas e que possibilitaram mais um dado para o projecto em curso. Em ambas foram detectados níveis elevados de nitratos, sendo que a primeira descarga, proveniente de uma Estação de Tratamento de Aguas Residuais (ETAR) apresentava valores mais altos que a segunda descarga, esta proveniente de águas pluviais.
Uma das zonas mais bonitas deste troço costeiro, e que não poderíamos deixar de referir, é o Forte do Pesqueiro dos Meninos. Este forte ainda apresenta um estado razoável de conservação e permite observar a sua bonita arquitectura.



1 comentário:

João disse...

Boas!
Considero realmente uma iniciativa de toda a dignidade e com extremo interesse comunitário.É de lamentar que haja tal desprespeito pelo nosso património natural e, igualmente, impunidade. Também se compreende,quando não existem grandes acções de sensibilidade e provavelmente pouca ou nenhuma vigilância/fiscalização, principalmente quando se tratam de zonas abrangidas pela Rede Natura 2000. É urgente dar azo a iniciativas como esta e investir na qualificação de pessoal nesta área.Então, vamos tentar fazer com que as áreas protegidas não se fiquem pelas definições no papel.
Cumprimentos