Pelo direito à liberdade das sementes

A semente é a base da vida. Contém toda a informação genética para criar um ser vivo. A civilização começa quando descobrimos como a cultivar. Parece portanto lógico afirmar que as sementes de cultivo são um bem comum, criado por acções humanas ao longo de milénios e que devem permanecer no foro público. 

No entanto, nas últimas quatro décadas a criação de plantas tornou-se um negócio global, controlado por uma dezena de empresas multinacionais da agro-química. Actualmente, essas empresas controlam metade do mercado mundial das sementes comerciais e a quase totalidade do mercado das sementes transgénicas.

Consequentemente, o uso de variedades protegidas com direitos tem tido consequências consideráveis para o modo de produção agrícola, já que força os agricultores a plantar monoculturas para obter economias de escala, obriga-os a comprar novas sementes todos os anos e a adquirir fertilizantes e pesticidas para garantir a produtividade das variedades. Para além disso, os direitos dos detentores de patentes não se esgotam nas sementes, estendendo-se a todas as fases de vida da variedade, incluindo as colheitas.

Sob pretexto da eliminação de concorrência 'desleal', de um mercado 'justo' e da protecção da saúde pública, a indústria de sementes quer ver ilegalizadas a prática de guardar sementes e a produção de variedades não registadas. 

A Comissão Europeia está prestes a satisfazer estes pedidos da agro-indústria. Nos últimos anos levou a cabo uma revisão da legislação sobre a reprodução e comercialização de sementes e pretende juntar todas as directivas existentes numa regulamentação, a chamada “Lei das Sementes”, que teria primazia sobre a legislação nacional. A Lei restringiria drasticamente a livre reprodução e circulação de sementes. Em Portugal, tecnicamente não é possível guardar ou comercializar sementes sem satisfazer um rol de critérios que tornariam a prática inviável para variedades tradicionais.

Considerando que tais práticas são ilegais e constituem um potencial risco para a preservação das características genéticas que são próprias de cada região ou local, a Gê-Questa une-se à iniciativa Campanha pelas Sementes Livres que visa por meio de iniciativas de sensibilização, comunicação e mobilização defender:
  • O direito à livre reprodução, guarda, troca e venda das sementes.
  • A promoção da biodiversidade agrícola, preservando as sementes de origem regional e biológica.
  • A recuperação dos conhecimentos tradicionais e a cultura gastronómica local agrícolas.
  • O fim às patentes sobre a vida e ao uso de OGM na agricultura e na alimentação.
  • Uma nova política agrária que promova a produção ecológica e biodiversa em vez da produção agrícola industrial.




Sementes da Liberdade de Jess Phillimore (2012) @ Quinzena de Acção pelas Sementes Livres


A Gê-Questa associa-se à Quinzena de Acção pelas Sementes Livres, a decorrer de 2 a 16 de outubro de 2013, um pouco por todo o mundo. 
Hoje apresentaremos o documentário Seeds of Freedom (Sementes da Liberdade) que nos leva ao mundo das sementes, onde parece existir um antagonismo entre as formas tradicionais de cultivo e preservação de sementes e os novos paradigmas que se pretendem impor através da monopolização do sistema alimentar global. 
O filme coloca em causa ideais do poderoso agro-negócio, onde as empresas multinacionais se pretendem afirmar como meio exclusivo para alimentar o mundo.  


Título: Seeds of Freedom (Sementes da Liberdade) 
Realizador: Jess Phillimore
Ano: 2012
Género: documentário
Duração: 30 min

Quinzena de Acção pelas Sementes Livres 2013


Os materiais traduzidos para português já foram colocados no site, aqui 

Podem também participar no Mural das Sementes Livres, enviando fotos com pessoas a segurar um cartaz onde completaram a frase "eu defendo as sementes livres porque.."

JANTAR VEGETARIANO @ PAELLA FELIZ

Ao adoptar uma alimentação vegetariana, podemos nos inspirar na dieta mediterrânica, onde os produtos
de origem animal são um complemento e não a base alimentar, estando assim a contribuir para a redução da pegada ecológica.  

A paella é um prato à base de arroz, típico da gastronomia espanhola e que tem as suas raízes na comunidade de Valência - daí que em Portugal seja comummente conhecido como arroz à valenciana.

Originalmente um prato popular, foi criada pelos camponeses que partiam para o campo com a paellera ou paella ( uma espécie de frigideira, de ferro ou aço, onde são preparados vários pratos da culinária valenciana), arroz, azeite e sal e agregavam ingredientes da caça, legumes da estação e as sobras que possuíam.  

Venha degustar este e outros sabores da cozinha vegetariana, hoje, a partir das 21:00.
Detalhes do evento em:  https://www.facebook.com/events/1442182406007215/?context=create